Amigas do Peito


Anchieta - Informativo do Centro de Pastoral Anchieta - Ano 2 - n.24 - Outubro de 2004 PUC-Rio

Por Marta Araújo

  Toda última sexta-feira do mês, às 14h, no Solar Grandjean de Montigny, um grupo de mães e outras pessoas interessadas têm um encontro marcado com as Amigas do Peito, uma ONG fundada em 1980, com o objetivo de incentivar a prática da amamentação. De Copacabana, onde começou, o movimento se espalhou. As coordenadoras são todas voluntárias que já amamentaram por seis meses ou mais. As mães, sobretudo as de primeira viagem, recebem a orientação necessária, mas o principal é a partilha das experiências, com as dificuldades e soluções de cada participante. Há ainda a possibilidade de apoio, através do disque-amamentação (21-2285-7779).

Mãe de Pedro, 4 meses, Inessa Salomão, de 28 anos, conta que só de pensar na volta ao trabalho, tinha medo de que o bebê não quisesse mais o peito: “é o meu primeiro filho, me sinto vulnerável, com medo de fazer coisas erradas. Mas desde que comecei a freqüentar as reuniões do grupo, estou muito mais tranqüila, fiquei mais segura”.

Com Pedro agora na creche, Inessa tem todos os dias de recolher o próprio leite. Médicos e psicólogos confirmam os efeitos positivos da amamentação, no primeiro ano de vida, para o bebê e para a mãe. Mas nada melhor do que ouvir isso de quem também está passando ou já viveu essa experiência.

“O ideal, em termos até de praticidade, é dar a amamentação exclusiva, durante os primeiros seis meses do bebê”, explica a profa. Karina Kuschnir, do Depto.de Comunicação, uma das coordenadoras do grupo na PUC.

“O leite materno é para a criança o melhor alimento possível; também a saúde da mãe se beneficia, pois a sucção ao peito estimula todo o organismo; para os dois e para a família, há ganhos emocionais, porque a amamentação fortalece os vínculos afetivos, previne a violência doméstica, o estresse de pós-parto, ao mesmo tempo em que serve de estímulo psicomotor, favorecendo o desenvolvimento físico e emocional da criança”, acrescenta

O aleitamento materno também é vantajoso, do ponto de vista econômico e social. Em populações de baixa renda, sem saneamento básico nas casas, há riscos de contaminação de uma mamadeira mal esterilizada ou de se usar água imprópria no preparo. No caso do leite em pó, por economia, muitas mães adotam uma dosagem abaixo da recomendada. O resultado é baixa nutrição e até desnutrição, além de diarréia e outras doenças – fatores todos que são as maiores causas de mortalidade infantil. Sem falar na poluição ambiental gerada pelo descarte dos artefatos ligados ao aleitamento artificial.

As Amigas do Peito têm núcleos espalhados em vários pontos do Rio de Janeiro. Para obter outras informações, basta ligar para (21) 2285-7779 ou acessar o site :www.amigasdopeito.org.br.